s o l y a r i s
The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes but in having new eyes.
Marcel Proust
live your life, live your life, live your life.
Maurice Sendak - from this great interview about his last book “This pig wants to party”. http://www.npr.org/2011/09/20/140435330/this-pig-wants-to-party-maurice-sendaks-latest
No te Rindas. Recuerda que muchas veces La última llave es la que abre la cerradura. La idea no es vivir para siempre, es crear algo que sí lo haga Nunca sabrás lo fuerte que eres Hasta que ser fuerte Sea la única opción que tengas No puedo hacer que me ames, me quieras o me entiendas; Todo lo que puedo hacer es esperar Que algún día quizas así será. No puedes sentirte siempre feliz sin antes pasar la página. Si nada nos salva de la muerte. Que al menos el Amor nos salve de la vida.
Pablo Neruda
What the photograph reproduces to infinity has occurred only once: the photograph mechanically repeats what could never be repeated existentially.
Roland Barthes
…quem és, afinal?
- Sou parte da força que eternamente deseja o mal e eternamente faz o bem.
Fausto, Goethe
O RAIO

Aconteceu-me uma vez, num cruzamento, no meio da multidão, no vaivém.

Parei, pisquei os olhos: não entendia nada. Nada, rigorosamente nada: não entendia as razões das coisas, dos homens, era tudo sem sentido, absurdo. E comecei a rir.

Para mim, o estranho naquele momento foi que eu não tivesse percebido isso antes. E tivesse até então aceitado tudo: semáforos, veículos, cartazes, fardas, monumentos, essas coisas tão afastadas do significado do mundo, como se houvesse uma necessidade, uma coerência que ligasse umas às outras.

Então o riso morreu em minha garganta, corei de vergonha. Gesticulei, para chamar a atenção dos passantes e – Parem um momento! – gritei – tem algo estranho! Está tudo errado! Fazemos coisas absurdas! Este não pode ser o caminho certo! Onde vamos acabar?

As pessoas pararam ao meu redor, me examinavam, curiosas. Eu continuava ali no meio, gesticulava, ansioso para me explicar, torna-las participantes do raio que me iluminara de repente: e ficava quieto. Quieto, porque no momento em que levantei os braços e abri a boca a grande revelação foi como que engolida e as palavras saíram de mim assim, de chofre.

- E daí? – perguntaram as pessoas. – O que o senhor quer dizer? Está tudo no lugar. Está tudo andando como deve andar. Cada coisa é conseqüência da outra. Cada coisa está vinculada às outras. Não vemos nada de absurdo ou de injustificado!

E ali fiquei, perdido, porque diante dos meus olhos tudo voltara ao seu devido lugar e tudo me parecia natural, semáforos, monumentos, fardas, arranha-céus, trilhos de trem, mendigos, passeatas; e no entanto não me sentia tranqüilo, mas atormentado.

- Desculpem – respondi. – Talvez eu é que tenha me enganado. Tive a impressão. Mas está tudo no lugar. Desculpem. – E me afastei entre seus olhares severos.

Mas, mesmo agora, toda vez (freqüentemente) que me acontece não entender alguma coisa, então, instintivamente, me vem a esperança de que seja de novo a boa ocasião para que eu volte ao estado em que não entendia mais nada, para me apoderar dessa sabedoria diferente, encontrada e perdida no mesmo instante.

de “O General na Biblioteca”, Italo Calvino. Tradução: Rosa Freire d’Aguiar. 


The mind is its own place, and in itself
Can make a Heaven of Hell, a Hell of Heaven.
John Milton